Viva o NEC!

Captura de ecrã 2017-01-27, às 13.46.36                                                                                                                            © Paulo Pimenta

 

Esta é uma página do jornal que fiz com a Marta Ramos – uma das propostas que constituíram o percurso (trans)sensorial no âmbito do (A.D.)n | Arquivo Dançante em Dezembro de 2016 – e no qual justapusemos notícias e imagens num jornal da actualidade, baralhando tempos, memórias e deixando rastros sobre o cruzamento de uma história pessoal com a história colectiva.

Foi mais uma forma de transformar material de arquivo acumulado num objecto presente, capaz de continuar a lançar pistas sobre questões que, ciclicamente, ocupam as artes performativas e os seus agentes e agradecer a todos e todas que coexistiram com o NEC ao longo de mais de 23 anos, reforçando a ideia de que o tempo é uma ilusão.

Esta despedida tem sido, também ela, um processo. A consciência do fim de um ciclo tem acontecido e sido transmitida através de vários momentos, formatos e suportes, de modo a permitir a ressonância, a diversidade e a abertura de perspectivas, mesmo e sobretudo, em momentos de transição, onde continuamente nos colocamos e reforçando a ideia de que o fim é uma ilusão.

Num tom mais institucional poderia invocar a quantidade de projectos, artistas, colaborações, públicos, espaços e demais categorias quantificadoras da actividade que nos propusemos desenvolver ao longo do tempo, mas não é isso que move uma estrutura independente dedicada à criação de carácter mais experimental e, para esse fim, podem aceder à informação aqui.

Aquilo que sinto mais urgente invocar como a principal consequência do nosso trabalho é, sem dúvida, uma teia invisível de relações, de encontros, de contaminações e cumplicidades que se estabeleceram e fizeram germinar um sem número de percursos e projectos pessoais, que se afirmaram de forma livre e sem paternalismos. Mas isso não vem nos jornais e exige compromisso, vontade em estar juntos, tempo para reflectir sobre as práticas e o que nos é comum. Dá trabalho e exige persistência e verdade.

Em breve, encerraremos formalmente a associação. Temos ainda bastante material que precisa de encontrar um lugar novo para podermos libertar o espaço no Teatro Municipal Campo Alegre onde fomos acolhidos generosamente durante os últimos 2 anos. Os contactos de email e tlm do NEC também serão desactivados.

A partir de agora, o Núcleo de Experimentação Coreográfica continuará a existir noutras dimensões, não só através do projecto Arquivo Dançante, cuja base já criada vos convido a ver e a divulgar, como também através de todos vocês, que directa ou indirectamente, contribuíram para a existência desta estrutura e a quem agradeço profundamente.

Não posso terminar sem um agradecimento muito especial à Ana, ao Jô, ao Paulo, ao Pedro, à Mafalda e ao Luís por estes tempos longos de cocriação, experiências e amizade que me ensinaram tanto. Obrigada!

Viva o NEC!

Com amor e até já,

Cristiana

 

 

 

 

 

 

 

(A.D.)n | Arquivo Dançante

nec-adn-perfilNo body No mind No time

– 16 dezembro | das 19h às 21h

– 17 dezembro | das 18h às 20h

(entrada livre para uma pessoa a cada 10 minutos, por ordem de chegada)

Apresentação da plataforma digital com Sara Orsi + conversa com os elementos da equipa e a Directora Municipal de Cultura do Porto Mónica Guerreiro

– 17 dezembro | 15h30

 

Após um ano de mergulho no material do centro de documentação do NEC – Núcleo de Experimentação Coreográfica, de cruzamentos e aprendizagem com quem pensa e pratica as questões do arquivo diariamente, de encontros, residências e persistência no caminho de fechar um ciclo de actividade desta estrutura tão singular no panorama nacional através de algo que pudesse ir além dela, eis que chega o momento de apresentar ao público o projecto Arquivo Dançante.

Este projecto sempre quis ser potência, base genética para múltiplas leituras e criações. O que cabe dentro dele é infinito e precisa de várias vidas para se ir reconfigurando. Mas ele tem já expressão concreta, quer ao nível da criação da plataforma digital que nos propusemos lançar on line e que queremos apresentar à comunidade, quer ao nível da experiência sensível que se vai revelando à medida que se reactivam materiais a partir do encontro entre Cristiana Rocha (membro fundador do NEC) e Marta Ramos (a última artista acolhida em residência no espaço do NEC 6×6 e a mais recente associada).


Editorial

Cristiana Rocha

Hoje, retomo a sinopse que Paula Caspão escreveu por altura do primeiro momento do projecto Arquivo Dançante – A.D.#1| Transplantes Temporais – para apresentar o percurso (trans)sensorial que eu e a Marta Ramos desenvolvemos na última semana e que é, agora, uma proposta de encontro, atravessada por matéria sensível, informe e inominável a ser experienciada por cada um.

“Sou um documento.

Pare. Recapitule. Ninguém sabe ao certo o que pode um documento.

Venho de um campo de intercâmbio metodológico entre a coreografia experimental e as práticas de documentação.

Pare. Recapitule. Try to re-member (the kind of September?).

Não percebo. Cante. Transforme.

Atravessei um campo, é de lá que venho. Tenho andado a atravessar campos.

Repita. Reformule.

Não consigo deixar de sentir os campos, ao cruzar-se.

Pare no cruzamento:

Práticas do arquivo como agências de encontros.”

Nestes dois dias, ao final da tarde, convidamos cada um a deixar-se atravessar pelas sensações de cada momento e a entrar na Sala Internet do Teatro Municipal Rivoli, uma espécie de “useless room” onde é possível experienciar, ciclicamente, em sessões de curta duração, um estado de presença e atenção para consigo próprio, no qual se diluem fronteiras entre corpos, espaços, tempos e se expande a consciência de que o instante concentra em si e convoca, em simultâneo, múltiplos passados, presentes e futuros, fluindo sem distinção de princípio e fim.

Este é também o momento que assinala a suspensão formal de actividade do Núcleo de Experimentação Coreográfica – NEC após 23 anos de intensa contribuição para a criação artística. E, não deixando de ser uma despedida, é sobretudo a celebração de um ciclo natural de transição para outras possibilidades. Que quero agradecer também, como último gesto desta estrutura, através do lançamento da plataforma digital Arquivo Dançante, desenvolvida pela Sara Orsi, e que será um testemunho vivo desta longa vivência em comum.

 

A apresentação destas duas propostas será certamente uma boa base para uma conversa entre os elementos da equipa Cristiana Rocha, Marta Ramos e Sara Orsi com a Directora Municipal de Cultura e Ciência do Porto Mónica Guerreiro e todos os que se quiserem juntar a nós.

 

Um agradecimento muito especial a Paulo Cunha e Silva, Marta Ramos, Paula Caspão, João Fiadeiro, Timmy De Laet, Helena Figueiredo, Vera Mantero, Rudolfo Quintas, Sara Orsi, Mafalda Couto Soares, André Sousa, Pedro Oliveira, Joclécio Azevedo e Paulo Pimenta (por ordem de aparição no desenrolar específico deste projecto). E a todos e todas que se cruzaram connosco neste ciclo de vida!

 

 

 

 

 

 

 

(A.D.)n | Arquivo Dançante

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No body No mind No time, percurso (trans)sensorial com Cristiana Rocha e Marta Ramos

16-12-16: sessões entre as 19h e as 21h

17-12-16: sessões entre as 18h e as 20h

Sala internet do Teatro Municipal Rivoli

(Lotação limitada. Reservas a partir de dia 12 de Dezembro)

 

Lançamento da plataforma digital Arquivo Dançante com Sara Orsi  + Conversa com Cristiana Rocha e Marta Ramos

17-12-16 | 15h30 | Foyer do 3º piso do Teatro Municipal Rivoli

Entrada livre

Coprodução NEC / Teatro Municipal do Porto

 

Este projecto sempre quis ser potência, base  genética para múltiplas leituras e criações.

Neste momento, após um ano de mergulho no material do centro de documentação do NEC, de cruzamentos e aprendizagem com quem pensa e pratica estas questões  diariamente, de encontros, de residência, de persistência no caminho de fechar um ciclo de actividade desta estrutura tão singular no panorama nacional através de algo que pudesse ir além dela, torna-se importante suspender um pouco o tempo e apresentar aquilo que o projecto (já) é.

O que cabe dentro dele é infinito e precisa de várias vidas para se ir reconfigurando.

Mas ele tem já expressão concreta, quer ao nível da criação da plataforma online que nos propusemos lançar e que queremos apresentar à comunidade artística, quer ao nível da experiência sensível que se vai revelando à medida que se reactivam materiais a partir do encontro entre Cristiana Rocha (membro fundador do NEC) e Marta Ramos (a última artista a querer entrar como associada e a ser acolhida em residência no espaço do NEC 6×6).


 

Cristiana Rocha

Licenciada em Psicologia Clínica (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, U.L., 1999), trabalha no cruzamento das práticas coreográficas com outras áreas, actuando em contextos artísticos, pedagógicos, sociais e terapêuticos.

Membro fundador e artista associada do Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC), termina em 2016, com o projecto Arquivo Dançante, um ciclo de trabalho iniciado em 2000 na co-direcção desta estrutura da cidade do Porto, através do qual desenvolveu propostas de criação, formação, programação e produção em múltiplos contextos e em colaboração com artistas e investigadores de diversos campos das artes performativas.

Iniciou a sua actividade profissional como bailarina na Companhia Nacional de Bailado (1992-1993) e participou como intérprete em trabalhos de coreógrafos nacionais e internacionais entre 1996 e 2015.

Foi colaboradora da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) entre 2000 e 2010, onde leccionou práticas de composição e movimento contemporâneo a alunos de Interpretação do Curso de Teatro.

Dirigiu diversos projectos comunitários com jovens e crianças de bairros sociais assim como ateliers de expressão artística junto de públicos específicos.

Apresentou a sua pesquisa coreográfica em teatros, museus, casas, escolas, lojas, jardins e outros locais do espaço público.

Actualmente, é praticante de Reconnective Healing® e membro da Comissão de Acompanhamento e Avaliação da zona Norte da dgArtes.

Marta Ramos

Sara Orsi

Licenciada em Arquitectura (FAUP) e a concluir o mestrado em Design de Comunicação e Novos Media (FBAUL), tem vindo a desenvolver o seu trabalho a partir da utilização da tecnologia digital como meio para expressar as suas investigações nas áreas dos novos media e dos estudos culturais. Em 2013, foi co-fundadora da associação cultural Arquivo 237 na qual, desde então, assume a co-direcção. Paralelamente, exerce a sua actividade profissional como web-designer e web-developer.

http://www.saraorsi.com/projectos/about.html

 

 

 

 

23 Outubro 2016

 

“Hoje que o NEC faz 23 anos (no dia 23), aproveito para iniciar o meu processo de despedida desta estrutura e de agradecimento a todos e todas: pessoas, lugares, experiências, sensações … e tudo o que se tornou vivo em mim através do que fomos fazendo.
Começo com um texto imagem meio desalinhado, de pernas para o ar, a convidar – vos a várias possibilidades de leitura e portas de acesso.
Ainda esta semana retomo residência no Rivoli para mais uma fase do Arquivo Dançante, projecto com que encerro este ciclo e que vos quer ter a todos dentro.
Comecem a marcar na agenda 15, 16 e 17 de Dezembro!
Obrigada. ♡”

Cristiana Rocha

A.D. # 1 Transplantes Temporais

     © CR

5 de Maio 2016 | 18h – 20h

Auditório Isabel Alves Costa

Festival Dias da Dança

A.D.|ARQUIVO DANÇANTE é um projecto coordenado por Cristiana Rocha e desenvolvido em coprodução entre o NEC e o Teatro Municipal do Porto que se constitui como um arquivo digital de artes performativas, a iniciar em 2016 a partir do acervo documental do Núcleo de Experimentação Coreográfica – NEC, no qual se reuniu uma grande variedade de abordagens da criação coreográfica nacional ao longo dos anos em parceria com os artistas e as estruturas de produção com que trabalham. Este projecto inscreve-se nas correntes actuais que problematizam o arquivo e a sua relação com a performance e procura constituir-se, também, como um espaço facilitador do cruzamento entre pesquisas académicas e artísticas, entre espaços de criação e preservação, entre práticas coreográficas e arquivísticas, promovendo encontros e experiências que convocam uma grande diversidade de temporalidades. Acessível on line, fará uso das novas tecnologias da informação para democratizar e diversificar as vias de acesso ao conhecimento, desafiar o sentido de propriedade, desencadear e manifestar o múltiplo, entendendo o arquivo como espaço social performativo, agente catalisador de novas práticas de activação do legado comum e sensível ao contexto que o anima.

No primeiro momento público do projecto, convidamos o público a experienciar diferentes arquitecturas de acesso a material partilhado pelo investigador internacionalmente reconhecido Timmy De Laet com a investigadora, dramaturga, escritora e artista interdisciplinar Paula Caspão e o coreógrafo, performer, investigador e fundador da companhia RE.AL João Fiadeiro, cujo trabalho “O que fazer daqui para trás” é apresentado no dia anterior e constitui um exemplo vivo de como a performance questiona e ultrapassa o seu próprio desaparecimento.

A.D. | Arquivo Dançante

Com o projecto A.D. | ARQUIVO DANÇANTE, propômo-nos iniciar um arquivo digital ao longo de 2016 entendido, não como uma fortaleza onde se preservam pedaços da história,  muito mais próxima da noção do documento como registo fechado de um acontecimento passado, mas mais como plataforma desencadeadora de múltiplos futuros, através do qual se contribui para descentralizar a produção de conhecimento e criar condições para fomentar a investigação no âmbito da pesquisa coreográfica.

Nesta concepção mais aberta, acredita-se no potencial do arquivo para revisionar e rever o modo como as narrativas são contadas, no seu potencial para reactivar performances e momentos, para diluir o dominante, para manifestar o múltiplo, para desafiar o sentido de propriedade e para redefinir como e por quem é produzido o conhecimento.

Propomo-nos partir da coleção de vídeos do NEC que integram o seu Centro de Documentação e reunir, em colaboração estreita com os artistas e com as diversas estruturas pares que caracterizam o tecido artístico português, desde obras completas a material por editar, numa base de dados comum facilmente acessível a artistas, investigadores, estudantes e público em geral.